E à 7ª jornada aconteceu o que meio mundo estava à espera ... o Porto perdeu os primeiros pontos.
À 7ª jornada aparece a primeira injecção de moral para os adversários, especialmente para quem já antecipa(va) o medo nos da frente.
Num campo mais difícil em teoria do que na prática, olhando para os resultados dos últimos anos e para a última vitória do Vitória, passe o trocadilho, em encontros com os dragões (que remontava a 2001), Guimarães e Porto encontraram-se para ver se o Porto e Villas-Boas mantinham a colecção de vitórias ou se, pelo contrário, Manuel Machado e o seu Guimarães faziam a vontade a Jorge Jesus e assumiam o segundo lugar na liga.
Em relação à constituíção das equipas, o Porto apresentou a equipa habitual, depois de alguma poupança a meio da semana no jogo da Liga Europa, com os regressados Fernando, Varela e Rolando. Os Vimaranenses também com um modelo já visto, apresentaram a equipa habitual com Edgar na frente, apoiado mais de perto por João Ribeiro e Marcelo Toscano numa segunda linha.
E foi ao brasileiro que pertenceu a primeira oportunidade de golo que, depois de uma falha clamorosa de Maicon que não viu o seu adversário nas costas, fez o mais difícil e falhou.
Desde cedo se viu que, apesar de apresentar o domínio da posse de bola que tem caracterizado a equipa este ano, o jogo do Porto não estava coerente com o que tinha sido apresentado até agora.

imagem retirada de www.maisfutebol.iol.pt (Estela Silva/Lusa)
Com o habitual controlo no meio campo, a equipa não conseguiu carburar a velocidade habitual no último terço normalmente empregue por Hulk e por Varela. Nenhum deles esteve particularmente inspirado, mas "o incrível" acabou por fazer o golinho da praxe, aos 30'. Falcao esteve também bastante ausente do jogo. Trabalhador, como de costume, mas penso que para além de não estar a receber tanto jogo como na época passada, está também ainda em défice de forma parecendo-me um jogador um pouco cansado.
Depois do golo, o Porto baixou (em demasia) o ritmo. Dada a impressão que o Guimarães não conseguia criar perigo (e a verdade é que se mostrou uma equipa completamente inconsequente), o controlo do jogo começou demasiado cedo. Muita posse, mas pouca intenção ofensiva, foi o que se viu até ao intervalo, contabilizando-se apenas mais uma oportunidade de golo para João Moutinho que apareceu, após excelente abertura de Belluschi, isolado na cara de Nilson que deu ainda um pequeno toque na bola para a levar pela linha de fundo, impedindo assim o "8" do Porto de festejar o seu primeiro golo com a camisola azul-e-branca.
A segunda parte começou pior. Um jogo "aos repelões", com muitas paragens e pouco pensado até que ... o Guimarães chegou ao golo aos 64'. Numa jogada de passe directo, Fucile abordou mal o lance e acabou por deixar a bola redondinha para o marroquino Faouzi, entrado um par de minutos antes, fazer o empate para os vimaranenses na primeira vez que tocava na bola. Uma prenda demasiado bondosa para aquilo que a equipa de Manuel Machado apresentou ao longo de todo o jogo.
Até o fim do jogo e tirando a expulsão justíssima de Fucile (jogo não para o uruguaio que, depois de um excelente mundial, parece sofrer do mesmo síndrome de Maxi Pereira, tendo voltado numa forma miserável) por falta sobre Faouzi que o obrigaria mais tarde a sair lesionado e também de Villas-Boas nada de muito relevante a apontar. Para o lado do Porto uma jogada de algum frisson com Rolando e dois cabeceamentos perigosos (por Falcao e por Rodriguez, posto no jogo para substituír Varela) e para o lado do Guimarães um cabeceamento de Edgar no último lance do jogo que Helton impediu que desse golo com uma grande defesa. Villas-Boas operou ainda a substituíção de Moutinho e Belluschi por Guarín e Micael, sem ter tido resultados práticos.
O Porto perde 2 pontos por culpa própria. É certo que o lance do golo pode acontecer, mas penso que tacticamente a equipa abandonou demasiado cedo uma procura mais intensa pelo segundo golo que, pelo que Guimarães estava a fazer, mataria o jogo.
imagem retirada de www.abola.ptNota final para as declarações do treinador Portista no fim do jogo. Penso que aqui se notou alguma da juventude de Villas-Boas num discurso inflamado e a recuperar a polémica conferência de imprensa de Vitor Pereira, presidente da comissão de arbitragem. Em relação ao suspoto penalty confesso que, durante o jogo, me passou completamente ao lado, mas no caso da expulsão de Fucile, que considerou ridícula, considero que está errado pois foi uma expulsão justíssima.
Não gosto deste tipo de discursos. A não ser que seja uma arbitragem claramente tendenciosa, um ou outro erro
não podem servir para desculpar resultados menos positivos.
Há 90 minutos para jogar e as equipas têm obrigração de produzir futebol suficiente para não precisarem de justificar perdas de pontos com um ou outro lance. Deixemos este tipo de "queixinhas" para outros (ou para ninguém, de preferência).
Obviamente que não esperava que o Porto fizesse o campeonato todo só com vitórias, mas penso que poderiamos ter adiado um resultado destes. Perdemos 2 pontos por culpa própria e agora resta esquecer este jogo e olhar em frente, para voltar ao caminho que temos vindo a percorrer. 7 pontos ainda é uma vantagem bastante confortável, que dá para gerir estes erros com tranquilidade e, portanto, não espero qualquer tipo de abate na moral da equipa. Espero que não me queiram contradizer.
Até breve!
PS: gosto de ver já em alguns sites desportivos os habituais comentadores de bancada, com palas, a preverem a desgraça que vai começar e a falaram novamente nas arbitragens. Espero que os nossos leitores sejam mais inteligentes do que isto.